
Pesquisa internacional comprova que reciclagem e compostagem reduzem 40% das emissões versus incineração. Barueri pode ser primeira cidade brasileira com incinerador em 2027.
Um novo estudo da Aliança Global por Alternativas à Incineração (GAIA) revela que a incineração de resíduos agrava significativamente a crise climática. Dessa forma, a pesquisa internacional comparou estratégias de gestão de resíduos em três cidades: Barueri (Brasil), Lagos (Nigéria) e Quezon City (Filipinas).
Além disso, as projeções até 2060 demonstram impactos alarmantes para o clima global. Em Barueri, onde uma incineradora deve começar a operar em 2027, o estudo projeta cenários preocupantes.
Primeiramente, os dados revelam diferenças substanciais entre as estratégias de gestão. Enquanto aterros produziriam 11,4 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2060, incineradores gerariam 10,2 milhões.
Por outro lado, sistemas de resíduo zero resultariam em apenas 6,7 milhões de toneladas.
Consequentemente, se soluções de resíduo zero como reciclagem e compostagem forem implementadas, será possível reduzir em até 40% as emissões de gases de efeito estufa no município. Notavelmente, essa diferença equivale a aproximadamente tirar 650 mil carros das ruas por um ano.
Custos e impactos sociais
Rafael Eudes, porta-voz da Aliança Resíduo Zero Brasil, rebateu argumentos econômicos pró-incineração. “Dessa maneira, esse estudo mostra que essa solução é a mais cara. Vai ficar mais caro para os gestores públicos e vai ficar mais caro para a sociedade”.
Igualmente importante, a incineração ameaça diretamente o trabalho de catadores. Conforme explica Eudes, “se queimarmos 100% dos resíduos presentes no município, vamos tirar a renda dos catadores daquele território”.
Questionamentos Legais e Ambientais
A sociedade civil de Barueri desenvolveu ações populares contra o projeto. Portanto, existe uma ação civil pública indicando possíveis impactos negativos da incineração na região. Inclusive, há alegações de ilegalidades no processo de licenciamento da planta.
Por sua vez, a instalação será localizada na Aldeia de Barueri, em área de preservação ambiental na várzea do Rio Tietê. Entretanto, a usina processará 825 toneladas diárias de resíduos de três cidades: Barueri, Santana de Parnaíba e Carapicuíba.
Alternativas Sustentáveis Comprovadas
Em contraste, as soluções de resíduo zero apresentam múltiplas vantagens. Principalmente, a reciclagem e compostagem são mais baratas, criam mais empregos por tonelada de resíduo e fortalecem a economia circular.
Adicionalmente, essas alternativas seguem a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), respeitando a ordem de prioridade na gestão de resíduos. Sobretudo, as soluções de resíduo zero “são melhores para o clima, são melhores para a saúde, são melhores para a sociedade e são mais baratas”.
Finalmente, Eudes reforçou a importância da mobilização popular. Portanto, a população pode cobrar o Ministério Público e vereadores locais para esclarecimentos sobre os impactos dessa tecnologia.
Em São Paulo, a Prefeitura prevê investir R$ 80 bilhões em incineração nos próximos 20 anos. No entanto, esse valor poderia ser destinado a programas de reciclagem, compostagem e reúso.
O estudo completo está disponível em no-burn.org. Além disso, organizações como Instituto Pólis e SOS Barueri acompanham os impactos e debatem alternativas sustentáveis.
Fonte: Brasil de Fato
